Num veículo pesado, travão motor significa travão de escape ou de compressão. O travão de escape é um travão auxiliar que fecha uma borboleta na linha de escape, cria contrapressão no motor e abranda o veículo sem recorrer ao travão de serviço. Nas descidas longas de camiões, cavalos mecânicos e autocarros, mantém a velocidade e ajuda a evitar o sobreaquecimento dos travões de serviço; não para o veículo sozinho.

Em resumo:

  • O travão de escape funciona com uma borboleta que fecha em grande parte a secção de escape; a contrapressão trava o motor e o motor abranda o veículo.
  • O efeito de travagem aumenta com a rotação do motor: entra-se na descida com uma mudança mais baixa adequada, sem nunca exceder o regime máximo permitido do motor.
  • O sistema é uma cadeia de botão ou alavanca, válvula do travão de escape, cilindro pneumático e borboleta; na procura de avarias, segue-se esta cadeia por ordem.
  • Como a travagem atua apenas nas rodas motrizes, recomenda-se desligar o travão auxiliar em piso molhado, com gelo ou neve.

O que é o travão motor e de que peças é composto?

O travão de escape é o sistema de travão auxiliar que faz o motor trabalhar como travão, reduzindo a saída dos gases de escape, e que apoia o travão de serviço. Nos veículos ligeiros, «travão motor» designa também abrandar tirando o pé do acelerador e reduzindo a mudança; num veículo pesado designa um equipamento próprio, o travão de escape ou o travão de compressão. As peças de um travão de escape típico são as seguintes:

  • Borboleta do travão de escape: o corpo com a borboleta, geralmente instalado na linha de escape à saída do turbo; a lâmina roda num veio. Quando fecha, forma-se do lado do motor uma contrapressão, isto é, uma pressão que se opõe à saída dos gases.
  • Cilindro do travão de escape: o cilindro pneumático que empurra a alavanca da borboleta com ar comprimido; quando o ar é descarregado, a mola de retorno e a pressão do escape abrem a borboleta.
  • Válvula do travão de escape: a válvula eletropneumática (solenoide) que abre e corta o ar para o cilindro. Alguns projetos incluem também um regulador de pressão que limita o ar do cilindro.
  • Comando e controlo: o botão no painel de instrumentos ou a alavanca atrás do volante; nos veículos atuais, a unidade de controlo do motor supervisiona condições como o acelerador e a embraiagem.

Como funciona o travão de escape?

O travão de escape reduz a saída dos gases quando se larga o acelerador; no tempo de escape, os êmbolos que sobem trabalham contra essa pressão. O motor, ao abrandar, trava o veículo através da transmissão. A sequência é esta:

  • 1. O condutor liga o botão ou a alavanca; o acelerador tem de estar totalmente solto e a embraiagem não pode estar premida.
  • 2. Se as condições forem adequadas, a válvula do travão de escape é energizada e envia ar comprimido ao cilindro.
  • 3. O cilindro empurra a alavanca da borboleta; a borboleta fecha a secção de escape em grande parte, não por completo.
  • 4. Entre a borboleta e o motor sobe a pressão de escape e o motor é travado; como o acelerador está solto, o motor não recebe, em regra, combustível nesse momento.
  • 5. Ao premir o acelerador ou a embraiagem, ou ao desligar o botão, a válvula descarrega o ar e a borboleta abre.

A força de travagem depende da rotação do motor: numa borboleta clássica a contrapressão aumenta com a rotação, e o efeito diminui bastante a baixa rotação. Nos veículos de comando eletrónico, o sistema pode desligar-se sozinho a baixa rotação ou abaixo de uma certa velocidade, para o motor não ir abaixo. Em alguns motores atuais, a mesma borboleta também fecha para aquecer mais depressa um motor frio e para a regeneração do filtro de partículas (DPF).

Utilização correta: mudança, descida e piso escorregadio

Em descidas longas e inclinadas, o principal meio de controlo da velocidade é o travão motor; o travão de serviço completa-o. Antes de iniciar a descida, engrene a mudança mais baixa adequada: o travão motor é mais eficaz a rotação elevada, mas o regime máximo permitido do motor não deve ser excedido. Os travões de serviço usados de forma contínua aquecem e perdem eficácia (fading); o travão motor reduz essa carga.

Segurança: o efeito do travão motor atua apenas nas rodas motrizes; em piso molhado, com gelo ou com neve, essas rodas podem derrapar. Nessas condições, desligue o travão auxiliar; o risco é maior com um cavalo mecânico sozinho ou com um semirreboque vazio. Para regras específicas do veículo, consulte o manual. Nos veículos com ABS, o sistema desativa em regra o travão motor quando as rodas tendem a bloquear, mas isso não dispensa o condutor de ter cuidado.

Travão de escape, travão de compressão e retarder: diferenças

O travão de escape, o travão de compressão e o retarder são três travões auxiliares diferentes que aliviam o travão de serviço; distinguem-se pelo local onde produzem o efeito de travagem. O travão de escape estrangula a linha de escape e o seu efeito varia com a rotação do motor.

O travão de compressão (ou de descompressão) abre a válvula de escape perto do fim do tempo de compressão e liberta o ar comprimido; assim, o trabalho gasto na compressão não regressa ao êmbolo. Em alguns motores, os dois sistemas usam-se em conjunto.

O retarder produz a travagem não no interior do motor, mas na caixa de velocidades ou no veio de transmissão; funciona com óleo (hidrodinâmico) ou eletromagneticamente. Para os tipos e a utilização correta, veja retarder: o que é e como funciona.

O que fazer quando o travão de escape não atua?

Quando o travão de escape não atua, o problema está num elo da cadeia que vai do comando à borboleta: eletricidade e comando, alimentação de ar e válvula, cilindro ou borboleta. Fugas de escape entre a borboleta e o motor também reduzem o efeito, porque a contrapressão se escapa por aí. É normal que o som do motor mude ligeiramente com o travão ativo e que saia um leve fumo de escape quando é solto; a temperatura do motor e do escape deve manter-se na gama normal.

SintomaCausa possívelVerificação
O travão não atua ou só atua de forma intermitenteFusível, relé ou botão avariado; ficha ou cabo solto; interruptor do acelerador ou da embraiagem desajustado; bobina da válvula; pressão de ar baixaLeia os códigos de avaria; com o botão ligado, veja se há tensão na ficha da válvula e ar à entrada da válvula
A válvula deixa passar ar mas a borboleta não fechaJunta do cilindro com fuga ou êmbolo preso; ligação da alavanca solta; veio da borboleta preso por fuligem ou corrosãoCom o motor frio, desligue a ligação e rode a borboleta à mão; confirme que o veio do cilindro faz o curso completo
Efeito de travagem fracoBorboleta que não chega à posição fechada (ajuste errado, casquilho gasto); fuga de ar no cilindro; fuga de escape entre a borboleta e o motorVerifique a posição fechada da borboleta e o ajuste da ligação; procure marcas de fuligem no coletor, nas juntas e nas abraçadeiras
Ruído de fuga de arJunta ou fole do cilindro, saída de descarga da válvula, mangueiras e uniõesFaça um teste de fugas; se a fuga for contínua, veja se a válvula corta o ar
O travão continua ativo depois de desligado; perda de potência, fumo preto, temperatura de escape elevadaBorboleta presa fechada ou meio fechada; válvula que não descarrega o ar; avaria do botão ou do interruptor do acelerador ou da embraiagemCorte a eletricidade da válvula e veja se o veio do cilindro recua e se a borboleta abre por completo
Luz de avaria acesa, a regeneração do DPF não se completaBorboleta presa ou erro de ajuste; mangueira de ar esmagada, obstruída ou fissuradaLeia os códigos de avaria com o equipamento de diagnóstico e siga os passos de verificação do fabricante

Se a borboleta estiver presa, o corpo fissurado ou o veio com folga, escolha a peça adequada entre borboletas do travão de escape e kits de reparação. Para uma válvula com bobina, corpo ou elementos de vedação avariados, a escolha faz-se entre válvulas do travão de escape e kits de reparação de válvula. Se o travão estiver fraco, verifique também a linha antes da borboleta; a fuligem indica muitas vezes uma fuga no flexível de escape ou na ligação do coletor.

Como se verifica e se mantém o travão de escape?

A verificação do travão de escape começa pelos passos que não exigem desmontagem e avança do comando para a borboleta. Esta ordem evita desmontar sem necessidade uma peça em bom estado.

Segurança: imobilize o veículo em piso plano com o travão de estacionamento e calce as rodas. Antes de verificar à mão, desligar uma ligação ou desmontar, pare o motor, retire a chave e desligue o botão; a linha de escape fica muito quente, sobretudo depois da regeneração do DPF, pelo que não trabalhe antes de as peças arrefecerem.

Antes de desligar a linha de ar ou a ligação do cilindro, descarregue a pressão do circuito em causa. No teste de funcionamento, a alavanca da borboleta move-se de repente; mantenha a mão afastada do mecanismo.

  • 1. Leia os códigos de avaria; confirme que as condições do botão, do acelerador e da embraiagem estão cumpridas.
  • 2. Verifique a pressão de ar do sistema; se estiver baixa, procure primeiro a fuga. O artigo como detetar fugas num sistema de travões de ar indica o método.
  • 3. Ligue e desligue o botão na condição de teste indicada pelo fabricante; observe a reação da válvula e o movimento do veio do cilindro.
  • 4. Se o veio não se mover, veja se há ar à saída da válvula (descarregando a linha e montando um manómetro): se houver ar, o problema está no cilindro ou na borboleta; se não houver, está na válvula ou na eletricidade.
  • 5. Com o motor frio, desligue a ligação do cilindro e rode o veio da borboleta à mão; se estiver preso, com folga ou com muita fuligem, a borboleta limpa-se ou substitui-se.
  • 6. Verifique mangueiras, uniões e a zona do cilindro com água com sabão; procure mangueiras esmagadas ou fissuradas.

Na manutenção periódica verificam-se a rotação livre do veio da borboleta, o fole do cilindro e as ligações de ar. Para o ajuste da borboleta, a lubrificação e o intervalo de manutenção, vale a documentação de serviço do veículo.

Como encontrar a peça certa para o travão de escape?

A peça certa do travão de escape é a que se confirma pelo número OEM e pelo número de chassis (VIN) do veículo; peças de aspeto semelhante podem diferir nas medidas de ligação. Como alguns fabricantes chamam também «válvula do travão de escape» a toda a unidade da borboleta, confie mais no número do que no nome da peça.

  • Borboleta: diâmetro do tubo de escape, tipo de ligação por flange ou abraçadeira, sentido da alavanca e ponto de ligação do cilindro.
  • Cilindro: curso, medidas de montagem, ponta do veio e tipo de ligação de ar.
  • Válvula: tensão de funcionamento (12 V ou 24 V), ficha elétrica e roscas de ligação de ar; o kit de reparação escolhe-se pelo número OEM da válvula.
  • Dados do veículo: ano do modelo, tipo de motor e nível de emissões; se o veículo tem travão de compressão ou retarder.

Do lado do cilindro, os cilindros do travão de escape, reguladores de pressão e kits de reparação escolhem-se com os mesmos critérios.

Com o travão de escape fora de serviço, os travões de serviço ficam mais carregados nas descidas longas. Se a borboleta ficou presa fechada, se a luz de avaria está acesa ou se uma fuga de ar baixa a pressão do sistema, o veículo deve ser verificado numa oficina com experiência em travão de escape e sistemas de ar.